Barômetro de frotas e mobilidade 2026

6 Apr 2026

Mercado de frotas e mobilidade em 2026: o que mudou, o que vem pela frente e como as empresas estão se preparando

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O mercado de locação de veículos e de mobilidade corporativa vive um momento de transformação relevante e, ao mesmo tempo, de consolidação. Se nos últimos anos o crescimento foi o principal indicador de sucesso, agora o foco se desloca para eficiência, inteligência operacional e decisões mais estratégicas.

Com a divulgação recente do Anuário Brasileiro do Setor de Locação de Veículos 2026, da Associação Brasileira de Locação de Automóveis, e do Barômetro global de frotas e mobilidade 2026, feito pelo Arval Mobility Observatory, é possível construir uma leitura mais completa sobre o que marcou 2025 e quais tendências devem guiar 2026.

Mais do que acompanhar números, o momento exige interpretação: entender como o setor evolui, quais movimentos ganham força e, principalmente, como as empresas estão respondendo a esse novo cenário.

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2025: crescimento com estratégia em um cenário desafiador

Mesmo diante de um ambiente macroeconômico pressionado por juros elevados, crédito restrito e pressão sobre custos, o setor de locação de veículos demonstrou resiliência e capacidade de adaptação.

Segundo a ABLA, o faturamento bruto do setor ultrapassou R$ 61 bilhões em 2025, enquanto os investimentos na compra de veículos superaram R$ 79 bilhões. Além disso, a frota total rompeu pela primeira vez a marca de 1,7 milhão de veículos, consolidando o setor como um dos principais motores da cadeia automotiva.

No entanto, uma leitura mais aprofundada dos dados mostra que 2025 não foi apenas um ano de expansão.

Os emplacamentos do setor registraram queda de 3,1% em relação a 2024, enquanto a participação da locação no total de veículos novos no Brasil recuou de 26,1% para 24,6%.

Esse movimento indica uma inflexão importante. Como reforça a própria ABLA ao longo do anuário, o setor entra em um momento de maior disciplina operacional, no qual eficiência e alocação de capital passam a ter papel central.

Ao mesmo tempo, a estrutura do mercado segue evoluindo. A gestão e terceirização de frotas já representa 54% da frota total, consolidando o modelo como dominante e evidenciando a migração consistente de CAPEX para OPEX.

Mais do que crescimento, o que se observa é uma reconfiguração estrutural. Esses números mostram uma transformação na forma como empresas lidam com mobilidade, com migração consistente de modelos baseados em propriedade para soluções mais flexíveis e orientadas ao uso.

 

O que sustentou esse avanço

Esse movimento não acontece de forma isolada. O volume de investimentos — que ultrapassou R$ 79 bilhões em 2025 — indica não apenas expansão, mas confiança estrutural no modelo de locação como resposta a um cenário econômico mais complexo.

De um lado, o custo de aquisição de veículos aumentou, enquanto o poder de compra se tornou mais pressionado. De outro, empresas passaram a exigir maior previsibilidade financeira e controle sobre seus custos operacionais.

Entre os principais motores desse crescimento estão:

  • A busca por maior eficiência operacional
  • A necessidade de flexibilidade em cenários incertos
  • A evolução da governança e da profissionalização do setor
  • A consolidação da locação como solução estratégica — e não apenas alternativa

 

Eletrificação no Brasil: crescimento acelerado, mas ainda em transição

Outro sinal importante dessa transformação está na eletrificação.

Os dados do anuário da ABLA mostram que os emplacamentos de veículos eletrificados no setor cresceram mais de 150% em 2025, enquanto a frota eletrificada avançou acima de 120%.

Apesar da forte expansão, o movimento ainda é concentrado principalmente em modelos híbridos, o que reforça uma característica importante do mercado brasileiro: a transição ocorre de forma gradual e pragmática.

Esse comportamento dialoga diretamente com o cenário apontado pelos estudos do Arval Mobility Observatory, nos quais a eletrificação avança globalmente, mas sempre condicionada à viabilidade econômica e à infraestrutura disponível.

Além disso, observa-se uma mudança no perfil competitivo, com o avanço de novas montadoras — especialmente asiáticas — ganhando espaço relevante nesse segmento.

 

2026 no radar global: da expansão à otimização

Se 2025 consolidou o crescimento, 2026 marca uma mudança clara de comportamento das empresas em nível global.

Segundo o Arval Mobility Observatory, “as companhias estão mudando da expansão para a otimização”.

Isso se reflete diretamente nas expectativas das empresas: 86% esperam que suas frotas permaneçam estáveis ou cresçam nos próximos anos, mas apenas 19% projetam crescimento mais acelerado.

Esse dado é central. O foco deixa de ser expandir e passa a ser operar melhor. Essa transição se apoia em três pilares principais.

 

Sustentabilidade com pragmatismo

Como já mencionado, a eletrificação continua avançando, com 66% das empresas já adotando ou considerando veículos eletrificados.

No entanto, os desafios permanecem relevantes:

  • 67% apontam a falta de infraestrutura de recarga como principal barreira
  • 36% destacam limitações de autonomia

Como resposta, 83% das empresas já adotam ou planejam soluções de recarga no local de trabalho, consolidando esse modelo como padrão emergente.

 

Gestão orientada por dados: avanço com espaço para maturidade

A digitalização avança, mas ainda não é plenamente explorada. De acordo com o Barômetro:

  • 52% das empresas já utilizam telemetria
  • apenas 25% utilizam efetivamente os dados gerados

O próprio estudo aponta que, apesar da adoção tecnológica, ainda existe um gap relevante entre coleta e uso estratégico da informação.

Isso muda o papel da gestão de frotas, que passa a exigir capacidade analítica, e não apenas operacional. O desafio passa a ser transformar dados em decisões, seja para reduzir custos, melhorar a utilização dos veículos, otimizar manutenção ou aumentar a produtividade.

 

Mobilidade como estratégia de pessoas

Outro ponto de destaque do Barômetro é o reposicionamento da mobilidade dentro das empresas.

97% das organizações já implementaram ou planejam implementar ao menos uma política de mobilidade, e 51% apontam demandas de RH — como atração e retenção de talentos — como principal motivador.

Como destaca o Arval Mobility Observatory, a mobilidade passa a ocupar um papel direto na experiência do colaborador e na proposta de valor das empresas.

 

Brasil em 2026: eficiência como necessidade, não como tendência

No Brasil, essa transformação global se traduz de forma particular.

Se globalmente a otimização já é prioridade, no mercado brasileiro ela se torna uma necessidade. O contexto econômico, marcado por custo elevado de capital, volatilidade e pressão por resultados, acelera essa transformação.

Se globalmente a otimização é uma evolução natural, no mercado brasileiro ela se torna uma necessidade impulsionada por custo de capital elevado, volatilidade e pressão por resultados.

Os dados reforçam esse movimento:

  • 61% das empresas já utilizam veículos seminovos
  • 37% utilizam leasing operacional como principal modelo
  • 39% pretendem ampliar esse modelo
  • 86% esperam estabilidade ou crescimento das frotas

Esse conjunto de indicadores mostra um mercado que continua crescendo, mas com uma lógica muito mais orientada à eficiência e à gestão estratégica.

Por um lado o mercado acompanha tendências como digitalização, eletrificação e uso de dados, por outro, fatores locais — como custo, acesso a crédito e necessidade de previsibilidade — tornam a eficiência ainda mais central.

O resultado é um mercado que não apenas cresce, mas amadurece.

Empresas brasileiras estão:

  • mais sensíveis a custo total de operação
  • mais orientadas a dados
  • mais abertas a modelos flexíveis
  • mais exigentes em previsibilidade

A locação de veículos e a gestão de frotas se consolidam como soluções capazes de equilibrar custo, flexibilidade e performance, especialmente em um cenário que exige decisões cada vez mais rápidas e assertivas.

 

Novos modelos de mobilidade ganham espaço

O Barômetro também mostra uma diversificação relevante das soluções de mobilidade corporativa.

No Brasil:

  • 82% das empresas já implementaram ao menos uma política de mobilidade
  • cresce a adoção de reembolso de transporte público
  • orçamento de mobilidade ganha espaço
  • soluções como car sharing e ride sharing avançam

Mais do que a adoção isolada de cada solução, o movimento mais relevante é a mudança de modelo: a mobilidade deixa de ser centrada exclusivamente no carro e passa a ser mais flexível, combinando diferentes alternativas.

 

Sustentabilidade: avanço na consciência, atraso na execução

Apesar da evolução no discurso, os dados mostram que a maturidade ainda é limitada. Apenas 17% das empresas possuem metas estruturadas de descarbonização, enquanto 24% estão em fase de avaliação.

Ao mesmo tempo, a sustentabilidade avança quando alinhada a fatores como:

  • eficiência operacional
  • redução de custos
  • conformidade regulatória
  • posicionamento corporativo

Isso reforça um ponto importante: a sustentabilidade avança quando alinhada à viabilidade econômica. A agenda está presente, mas ainda em construção.

 

Tendências que devem moldar o setor em 2026

A partir da combinação entre os dados do mercado brasileiro e as tendências globais, algumas direções se destacam para os próximos meses:

1. Consolidação definitiva da terceirização de frotas
O modelo deixa de crescer para se consolidar como padrão de mercado.

2. Gestão baseada em dados como requisito básico
Com 44% das empresas já demandando ferramentas de análise e 33% avançando em telemetria, a gestão orientada por dados deixa de ser diferencial e passa a ser padrão competitivo.

3. Eletrificação com abordagem pragmática
O avanço continua, mas condicionado a viabilidade econômica e infraestrutura.

4. Modelos de mobilidade mais flexíveis
Assinatura, soluções híbridas e integração de serviços ganham espaço.

5. Pressão por eficiência operacional
Margens mais apertadas exigem operações mais inteligentes.

6. Mobilidade como ferramenta estratégica de RH e negócio
Impactando não só custos, mas também experiência e produtividade.

Esses movimentos indicam uma mudança importante: a mobilidade deixa de ser um custo isolado e passa a ser um componente estratégico do negócio.

 

Os principais desafios para 2026

Os desafios enfrentados pelas empresas em 2026 refletem um cenário mais complexo e multidimensional, no qual a gestão de frotas passa a exigir muito mais do que controle operacional.

Segundo o Arval Mobility Observatory, temas como direção responsável, adaptação a restrições de veículos a combustão e gestão do custo total de propriedade (TCO) ganham protagonismo. No entanto, mais do que desafios isolados, esses pontos indicam uma mudança mais profunda: a mobilidade passa a ser impactada por fatores regulatórios, financeiros e ambientais ao mesmo tempo.

Nesse contexto, a eletrificação deixa de ser apenas uma iniciativa de inovação e passa a se posicionar como uma necessidade estratégica, ainda que sua implementação traga desafios relevantes.

Ao mesmo tempo, os dados do Barômetro mostram que há um gap importante na gestão de performance. Muitas empresas ainda estão estruturando capacidades básicas, como manutenção preditiva, controle de custos e otimização operacional.

Esse conjunto de fatores revela um ponto central: o desafio não está apenas em adotar novas soluções, mas em evoluir o modelo de gestão.

A gestão de frotas se torna mais integrada, mais analítica e cada vez mais conectada à estratégia do negócio, exigindo não apenas tecnologia, mas também maturidade na tomada de decisão.

 

Terceirização de frotas: o centro dessa transformação

Dentro desse contexto, a terceirização de frotas ganha ainda mais relevância.

Dados do setor mostram que a gestão e terceirização de frotas já representa mais da metade da frota total de locação no Brasil (54%), um sinal claro de que empresas estão migrando de modelos baseados em propriedade para modelos baseados em uso.

Esse avanço não é apenas quantitativo. Ele reflete uma mudança na lógica de decisão das empresas, que passam a priorizar previsibilidade, eficiência e menor exposição a ativos em um ambiente econômico mais volátil.

Essa mudança, portanto, responde diretamente aos principais desafios das empresas hoje:

  • reduz exposição a custos variáveis
  • aumenta previsibilidade
  • simplifica a gestão
  • viabiliza acesso a tecnologia
  • permite foco no core business

Mais do que uma tendência, a terceirização se posiciona como resposta prática aos desafios do cenário atual. Mais importante: ela se conecta diretamente com a nova lógica do mercado — menos ativo, mais eficiência; menos posse, mais inteligência.

 

Expectativas para 2026: consolidação e protagonismo

Para 2026, a expectativa é de continuidade no crescimento, mas com um perfil mais sustentável e estratégico.

A mobilidade corporativa deixa de ser uma decisão operacional e passa a impactar diretamente:

  • eficiência
  • previsibilidade financeira
  • capacidade de adaptação das empresas

O próprio setor já aponta que a palavra do ano é consolidação: de modelos, de práticas mais eficientes e também do papel mais estratégico da mobilidade, com maior protagonismo da locação.

Ao mesmo tempo, fatores como calendário econômico, sazonalidade e cenário macro exigem atenção redobrada das empresas. Nesse contexto, planejamento, uso de dados e eficiência operacional deixam de ser diferenciais e passam a ser requisitos básicos.

 

O novo papel da mobilidade corporativa

Os dados mais recentes mostram que o mercado não está apenas crescendo, está mudando de lógica. Em um setor que já movimenta mais de R$ 61 bilhões por ano e concentra investimentos superiores a R$ 79 bilhões, as decisões sobre mobilidade deixam de ser operacionais e passam a ter impacto direto na estratégia financeira e competitiva das empresas.

A gestão de frotas deixa de ser uma decisão operacional e passa a influenciar diretamente a eficiência, a previsibilidade financeira e a capacidade de adaptação das empresas. Em um cenário mais pressionado e dinâmico, a forma como a mobilidade é estruturada pode determinar o quanto um negócio consegue escalar… ou o quanto ele perde competitividade.

Mais do que acompanhar tendências, 2026 coloca uma questão prática para as empresas: como transformar mobilidade em vantagem estratégica.

E, nesse contexto, as decisões tomadas agora tendem a definir não apenas o desempenho no curto prazo, mas o posicionamento das organizações nos próximos anos.

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